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Os mesmos olhos inatingíveis, desmaiados na própria imensidão verde-água fria, intacta, frágil.
O aro dourado incompleto, denunciando certa impossibilidade de ser.
Não desminto minha atração por olhos fugidios. Me encanta não conseguir definir suas cores, nem os objetos invisíveis que focam. Me encanta sabê-los próximos, mas sentí-los desinteressados em desvendar o mosaico dos meus olhos, em bagunçar meus segredos, em violentar minha individualidade.
Tanto encantamento! E não consigo evitar esse desejo de despedida.
Pessoas se vangloriam dizendo viver vidas várias, personalidades múltiplas e desejos saturados. Uma gota de sonho a mais e a alegria transborda! Já eu vivo em caixas. Como a boneca russa que se desnuda e se revela infinitamente, apenas para se descobrir menor. É difícil se desnudar sem mãos cuidadosas para ajudar.
As mãos denunciam o que os olhos não contam. Mãos são animaizinhos eternamente carentes e famintos de calor.
Prefiro ser entendido e observado pelas frestas das mãos que pelo espelho dos olhos. |
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