Foi Culpa da Lucidez

Eis que um pássaro germina
num ovo de ferro.
A dor de querer ser
aquilo que não pode.

Não acredito em respostas fáceis.
Falta o ânimo pras difíceis.
O beijo de línguas frias.

Antes a vaidade de imaginar-se visto.
Hoje a cegueira de ver-se imaginado.

A lucidez então se faz bonita.
Mas se perde na leveza do gracejo.
O que se tem como garantia?
O que se tem como alegria?
Quando a lucidez é fantasia?

Nunca me explicaram o vazio.
O amor não se explica mas se entende
num sorriso escapado
num bilhete escondido
num tropeço disfarçado.

O vazio carece de solidariedade.
Carece de provas, pois não pisa nem geme.
Carece de solidão, pois se faz constante
Carece de afeto, pois abraça sem braços.

O vazio se sente.
Mas não me sinto tão só.

Hoje o dia se solidarizou.
E nasceu.
Cinza.


 

   
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